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SteamRollers Encore – A equipe que contratou Lanaro revela seus planos

Uma organização que em 6 meses conseguiu resultados expressivos e mesmo sem investimentos conta com o jogador de Dota 2 mais famoso do Brasil. Confira a entrevista com Lucas de Oliveira (Diretor comercial), Raphael Ferreira (Diretor de marketing) e Marcelino ‘Virgel’ Juliano (Gerente geral) da Steam Rollers Encore.

Como começou o interesse pelos eSports?

Raphael – Nós sempre gostamos de jogos eletrônicos e tínhamos nos jogos de estilo moba nosso maior interesse. No início eu e o Lucas jogávamos muito LoL e a gente tinha um time amador que desejava se aprofundar mais no cenário. Infelizmente nossa realidade de cenário é muito precária, estamos muito atrasados se comparado a Estados Unidos, Europa, e anos luz atrás da Coréia, por exemplo. Isso dificulta muito no momento de se arranjar apoio e acabamos passando por momentos ruins pela falta de profissionalismo de algumas pessoas.

Porque criar uma organização nova?

Raphael – A gente pensou que diante desse espaço em que não há muitas empresas qualificadas seria interessante trazer a mentalidade lá de fora e implementar aqui.Existe gente interessada em fazer um trabalho sério, só que falta ainda a técnica para tornar esse trabalho em um projeto real com seriedade.

Começamos juntando as ideias em um papel, e como dizemos popularmente: Metemos a cara para ver. Em fevereiro nós oficialmente iniciamos a empresa e nos unimos com o Virgel que tinha ideias semelhantes as nossas. Ele puxou a gente para a área que ele mais conhecia que era o Dota 2, tanto que nossa equipe mais estabelecida hoje é a de Dota.

Vocês trabalham hoje exclusivamente com o eSports?

Raphael – Nós largamos tudo e viemos viver nosso sonho. Nosso objetivo realmente é viver da organização e sentíamos que se não fosse assim não daria certo. Tentamos trazer essa mentalidade para inspirar os outros, se nós não nos levarmos a sério, quem vai nos levar a sério? E isso é importante de se separar, nós também nos divertimos mas o jogo é um aspecto do nosso trabalho, assim como divulgação, parcerias, melhorias internas. então não podemos jogar o dia inteiro e esperar que um resultado bom caia do céu.

Como vocês enxergam o cenário de jogos eletrônicos no Brasil, e vocês acreditam que a crise pode prejudicar?

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Raphael – Enxergamos dois fatores. O primeiro é que o mercado de games sofre pouco com essa crise e tem apresentado crescimento a cada ano. O seguindo é que o público brasileiro é carente de heróis nacionais, por isso é obrigado a consumir do exterior. O que as empresas poderiam enxergar é que ao invés de fazer o investimento para anunciar em um veículo grande pagando um absurdo, seria muito mais interessante investir a metade disso para bancar uma equipe de eSports para fazer o trabalho dela.

Não apenas em campeonatos, mas a exposição da marca também estaria pela twitch, youtube, facebook entre outras ferramentas usadas pelos jogadores que atingem diretamente potenciais clientes dessas empresas. E o melhor disso tudo é que essa propaganda está disponível 24 horas por dia, seja por conta dos campeonatos que todas as lineups disputam, ou simplesmente pelo tempo que nossos jogadores estão online exibindo suas marcas.

O que vocês possuem hoje para oferecer a seus jogadores em questão de estrutura?

Raphael – Hoje nós oferecemos o que sempre oferecemos, nosso trabalho em troca do trabalho do jogador. Sempre quisemos recrutar novos talentos e dar oportunidades para eles trabalharem conosco, então nosso foco foi olhar para pessoas que estavam começando assim como nós. Resolvemos problemas estruturais dos jogadores, coisas particulares que eles não precisaram mais se preocupar porque nós vamos cuidar para ele. O que fica a desejar é a questão financeira.

Nossa organização por ser muito nova ainda carece de investimento de empresários, então nos resta oferecer nosso projeto. Os jogadores e colaboradores que vem para cá acreditam no projeto da equipe pois nós nos falamos com clareza, mostrando os resultados do trabalho sem nunca prometer algo que não é possível de se alcançar. Acho que esse é um diferencial nosso, pois muitas organizações já são estabelecidas financeiramente e não conseguem cumprir com o que prometem aos seus jogadores gerando aquela decepção e os disbands frequentes do cenário.

O que vocês gostariam de fazer e não fazem por conta do investimento?

Raphael – Sem dúvidas uma Gaming House. Temos participantes de todo o país, o que por um lado é legal, mas seria muito melhor se estivéssemos todos no mesmo espaço. Uma Gaming House e um escritório seriam nossa prioridade de investimento.

A SteamRollers atualmente representa um grande clube brasileiro jogando futebol americano, como surgiu a parceria com eles?

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Raphael – Ficamos muito feliz pela coragem do Ricardo Trigo, responsável pela Steamrollers, que se dispôs a investir no cenário de eSports. Como os resultados no Dota 2 estavam bons, decidimos então procurar uma equipe de LoL para nos representar e foi ai que nossos caminhos se cruzaram. Em agosto éramos apenas Encore, hoje fechamos a parceria e incorporamos o nome e identidade da SteamRollers.

Quais são os outros jogos que vocês possuem lineup?

Lucas – No momento temos equipes no Dota 2 e Rainbow Six, e estamos negociando com uma lineup de LoL mas ainda não podemos divulgar quem são. Temos intenção de fazer uma line de CS:GO e jogadores de Hearthstone, mas por enquanto não vamos confirmar porque é um projeto que ainda não está firmado.

Qual é o planejamento para Dota 2?

Raphael – Esse ano nós queremos nos estabelecer no cenário nacional com o mínimo de mudanças possíveis na lineup para no ano que vem sim ir disputar lá fora. Já fizemos amistosos com equipes fortes e tivemos bons resultados, portanto temos certeza de que é possível.

Como foi a caminhada da equipe de Dota 2 até ter o reconhecimento atual?

Raphael – Nossos resultados no Dota foram interessantes, já que estivemos entre os 4 melhores na BGC por duas vezes. Esse é sem dúvidas o maior torneio brasileiro pois disputamos jogos contra equipes como Pain, Tshow e outros estabelecidos do cenário. Então cada campeonato amador que a gente ganhava, aumentava um pouco a visibilidade e chamava a atenção de jogadores que eram frequentes nesse cenário amador.

Virgel – Por isso inclusive tivemos muitos problemas com os jogadores que precisavam treinar mas não contavam com o apoio da família, então o jogador não tinha o financeiro para “bancar” e dizer que essa é sua profissão.

Raphael – O percurso até aqui teve alguns resultados positivos mas também alguns problemas. Como não temos suporte no cenário, alguns desses talentos desanimaram por pensar que talvez não fosse dar em nada.  De qualquer forma todos os novos jogadores que entravam no lugar dos que saiam sempre tornava o time mais forte.

Então o que falta para as lineups brasileiras conseguirem resultados mais expressivos no exterior?

Raphael – A mentalidade vencedora. O brasileiro tem muito talento para tudo que faz, mas na hora h acaba falhando mentalmente. Nós estamos estabelecendo nossa forma de pensar, preparando o psicológico da equipe para quando chegar lá fora estarmos prontos.

Recentemente vocês contrataram o Lanaro, um dos mais populares jogadores do Brasil. Como foi a negociação com ele?

14222290_1025146387598432_7890119191796501355_nc4t e lanaro na BGC deste ano

Virgel – A negociação começou depois da BGC, na qual estávamos decidindo se iríamos manter a lineup de Dota 2 ou não. Eu tinha o contato do lanaro e ele já vinha se mostrando interessado sobre como era o ambiente da equipe. Fizemos uma conversa em nosso TeamSpeak e colocamos os fatos na mesa, “Lanaro, você sabe como é o cenário brasileiro de Dota 2, não há dinheiro para pagar bem os jogadores, então nosso projeto é o que podemos oferecer” e ele prontamente aceitou. Nós tinhamos a confirmação de que apenas o “duster” e o “arms” iriam continuar no time então demos aos 3 a responsabilidade de montar o time que eles acreditam que será o melhor.

A equipe montada em torno de uma estrela tão grande pode dar certo?

Lucas – Todos os jogadores são tratados iguais, independente de ser x ou y, todos tem as mesmas oportunidades e benefícios da equipe. Nós conquistamos a confiança dos meninos com um projeto sólido, sem nunca ter prometido algo que não tenha cumprido, então isso da segurança para eles jogarem sabendo que estamos buscando o melhor para o time.

Raphael – Como exemplo eu gostaria de citar a filosofia de alguém que eu admiro muito o trabalho que é o Tite, atual treinador da seleção Brasileira de futebol. Ele martela muito na questão do merecimento e é isso que nós acreditamos. O lanaro é sem dúvida o prodígio do cenário e tem uma visibilidade estrondosa, mas nossa preocupação é fazer com que todos tenham na medida do possível o mesmo tratamento e exposição.

Quais são os próximos passos da equipe?

Raphael – O objetivo agora é tornar a base ainda mais sólida para conseguir algo grandioso ano que vem. Vamos deixar os times de todas as lineups praticarem muito e participarem da maior quantidade de torneios possíveis para pegar entrosamento. Queremos evitar ao máximo o troca-troca de jogadores na equipe.

Virgel – O 2017 do Dota 2 no Brasil parece que será muito maior que esse ano. Infelizmente tivemos uma temporada praticamente morta, mas para o ano que vem já vemos muitas movimentações que irão fazer o cenário crescer.

Para finalizar, vocês gostariam de deixar algum recado da organização?

Queremos que as organizações de eSports se levem a sério, se respeitem, para assim conquistar espaço e visibilidade. Precisamos dessa postura para que as empresas invistam na gente, somente dessa maneira poderemos criar equipes mais fortes que serão admiradas pelo nosso público. Queremos criar novos heróis nacionais.

A organização:

Lucas de Oliveira – Diretor comercial
Raphael Ferreira – Diretor de marketing
Marcelino Juliano – Gerente geral
Diretores Steamrollers – Ricardo Trigo e Cris Kaji

Lineup de Rainbow Six:

Bruno “Shadow” Nespoli
Matheus “Splitoo” Matos
Marcelo “Max” Marcião
Talles “xCroost” Gonçalves
Gabriel “Gabriel” Bohmer

Thiago “thigusouza” Nunes – COACH

Lineup de Dota 2:

Danilo ”Arms” Silva
João Pedro “Lanaro”
“Allan” Elias da Silva
Heitor “Duster” Pereira
Marcus “cus” Santos

Manager – Dionathan “Pooch” Amaral

Mais informações na página do Facebook da SteamRollers Encore

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